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Saudades do Cine Trianon



Saudades do Cine Trianon



      A minha geração não brincou de vídeo game nem de jogos de computador na infância, graças a Deus. A minha geração não conheceu o veideocassete, graças a Deus. A minha geração, graças a Deus, ia ao cinema...Ou melhor, se divertia com cinema. A minha geração, portanto, conheceu os encontos (sic) de um divertimento capaz de produzir e veicular a um só tempo as várias expressões da arte: a literatura, a música, a fotografia, as artes cênicas, etc. A grandiosidade e a magia do cinema reside justamente aí; ou seja, nessa capacidade de aglutinar diversas manifestações artísticas simultaneamente. Quem gosta sabe os efeitos que um belo filme produz nos nossos espíritos!...
      A garotada ia às matinèes do cine Trianon porque esse era o melhor programa que a cidade oferecia naqueles tempos dourados. Ali era o palco das emoções que excitavam a nossa imaginação nas viagens com mundo lá fora; e sempre saía do cinema com a certeza de que, para além da praça Marques, outros mundos haveria de conhecer...Naquelas cadeiras duras e desconfortáveis vivi momentos inesquecíveis onde o que menos importava era a falta  comodidade dos bancos;pois o prédio era bonito e suntuoso aos meus olhos de menino. Onde uma criança de Arapiraca poderia ver jacarés leões ferozes e imensos elefantes senão nos filmes de Tarzã?...E os filmes “de faroeste” com aquelas cidadezinhas encantadoras feitas de madeira que mais pareciam de brinquedo? Os duelos finais entre mocinhos e bandidos, os fortes apaches, as diligências sempre transportando mulheres elengantérrimas em meio a tanta poeira...Como conhecer mundos tão diferentes senão através da tela do cinema?... E o mais interessante é que a violência que acontecia nos filmes não contaminava a garotada. Ninguém saía do cinema com espírito beligerante nem com vontade de brigar ou criar confusões. Havia um quê de ingenuidade naqueles tirose flechadas por índios em nada comparável à violência dos Ninjas Kickboxers de hoje. Depois ninguém consegue entender porque os adolecentes estão ficando cada vez mais violentos... Assistam o que eles assistem e comecem a entender razões!
      Como esquecer os momentos que antecediam à nossa entrada no cinema durante os quais se fazia o salutar comércio de gibis? Trocava-se um “Zorro” já lido por “Batman” inédito nas nossas leituras. O “Pato Donald” da semana passada valia um “Zé Carioca” semi-novo. Muitas vezes uma troca vantajosa garantia o chiclete e o guaraná depois do filme. Só quem viveu aquele tempo sabe da expectativa e ansiedade que aquelas três batidas geravam em nós antes que a cortina se abrisse e as luzes se apagassem... A partir daí era só o sonho. Ah, antes que eu me esqueça, tinha também as palmas pro(sic) futebol e o “tanger” do condor nos filmes da Paramount. As vaias e assobios da garotada quando a fita se rompia era nosso único gesto de rebeldia, pois afinal havíamos pago com os nossos trocados e não merecíamos aquela brusca interrupção bem na hora em que o “artista” ia beijar a sua garota. Os meninos ficaram furiosos...
      Na tela do saudoso Cine Trianon eu tive a felicidade de assistir a maioria dos grandes clássicos do cinema mundial. Encantei-me com “E o vento levou”, “Dr. Jivago”, Casablanca e os “Girassóis da Rússia”. Chorei silenciosamente em “O milagre”, “A imitação da vida”, “Quando o amor é cruel” e, porque não “Dio como ti amo”? “O mágico de oz” e a “Noviça rebelde” me despertaram o gosto pelos musicais. “Cleópatra”, e todos os filmes de gladiadores romanos me levaram aos livros de História. E tantos outros filmes inesquecíveis...
      Fico me perguntando com um forte saudosismo na alma por que tudo isso acabou se “Houve uma vez um verão”?                                                                                               



Fonte: Texo extraído do Jornal Novo Nordeste de Arapiraca publicado pelo Professor M. Sc. Ronaldo Leão do Curso de Letras UNEAL/CAMPI I veiculado de 07 a 13 de Junho de 1998.

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